Datafolha: Lula vai para 47% e aumenta chance de 1º turno – 22/09/2022 – Poder

By | September 23, 2022

A dez dias do primeiro turno das eleições presidenciais, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oscilou dois pontos, chegou a 47% e tem 14 pontos de vantagem sobre Jair Bolsonaro (PL), que ficou em 33%. Assim cresceu a chance de o PT vencer no primeiro turno.

A estabilidade com oscilação positiva para o PT nos cenários de uma semana para hoje, medidos pela última pesquisa do Datafolha, intensificará o cabo-de-guerra entre as duas principais campanhas de uma corrida cuja decisão no primeiro turno pode ocorrer em a mecânica ocular.

Empatados no terceiro lugar estão Ciro Gomes (PDT), que oscilou de 8% para 7%, e Simone Tebet (MDB), que segue com 5%. Soraya Thronicke (União Brasil) oscilou de 2% para 1%, mantendo-se em paridade na ponta da margem com a Tebet.

A margem de erro é de mais ou menos dois pontos percentuais nesta pesquisa, realizada de terça-feira (20) a esta quinta-feira (22). O instituto ouviu 6.754 pessoas em 343 cidades e a pesquisa encomendada pela Folha e pela TV Globo está registrado com o número BR-04180/2022 no Tribunal Superior Eleitoral.

A boa notícia para Lula é que, com o balanço, ele volta a ter 50% dos votos válidos, o limite para uma vitória no primeiro turno. Esse critério, adotado pelo TSE para apuração das eleições, exclui os espaços vazios e vazios: é eleito diretamente quem tiver 50% mais um voto. Na semana passada foi de 48%.

O PT deve redobrar os esforços para evitar a alta abstenção e buscar votos úteis dos terceiros colocados, Ciro e Tebet, e Bolsonaro procurará investir contra a imagem do ex-presidente para levar a disputa final até 30 de outubro.

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O último ciclo da campanha antes do primeiro turno terá debates na TV no sábado (24), no SBT e na quinta (29), na Globo. Lula, aliás, já avisou que não irá à estreia, para diminuir as chances de acidentes.

Mas o PT já estava numa posição mais confortável na contagem válida até 54% em maio. E a abstenção, fator central na definição do universo dos votos válidos, não pode ser medida a priori. Assim, Lula causou sensação entre os idosos nesta semana, o grupo mais propenso a se abster devido ao voto não obrigatório para maiores de 70 anos.

Não houve efeito imediato. No grupo dos maiores de 60 anos (20% da amostra) flutuou dois pontos a menos, mantendo uma vantagem de 47% sobre os 40% do presidente. Outro grupo que historicamente mais se abstém é o dos mais pobres e menos escolarizados, que votam majoritariamente no ex-presidente.

Lula também apostou em uma fotografia simbólica em que reuniu oito ex-candidatos à presidência para apoiá-la. Mas não houve movimento significativo nas camadas mais instruídas ou de maior renda, teoricamente mais expostas às notícias políticas da frente em seu favor.

A força do PT continua a residir nos mais pobres. Entre os que ganham até 2 salários mínimos, 51% dos ouvidos pelo Datafolha, passaram de 52% para 57%, em relação ao turno anterior, calculado de 13 a 15 deste mês.

Bolsonaro, por outro lado, oscilou de 27% para 24% no segmento, confirmando as piores notícias colhidas de sua campanha, juntamente com seu alto índice de rejeição.

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O presidente utilizou um arsenal de medidas populistas na economia, que vão desde o reajuste mais amplo do Auxílio Brasil para os mais necessitados, até mimos pontuais para caminhoneiros e taxistas, passando pela sequência de reduções nos preços dos combustíveis administrados.

Por outro lado, a fome e a inflação de alimentos ainda elevada impediram que a melhora econômica fosse percebida entre os mais pobres.

O presidente melhorou seu desempenho, porém, na faixa mínima de 2 a 5 (34% da amostra), justamente a classe média baixa mais sensível à questão dos preços do gás e da gasolina. Ele passou de um empate numericamente menor para Lula (39% a 40%) para uma vantagem de 43% a 36%.

Do ponto de vista da imagem, as atenções devem agora se concentrar em tentar desgastar Lula, pois os artifícios bolsonaristas parecem ter chegado ao limite da utilidade devido à manutenção de uma alta rejeição. Sua manifestação no dia 7 de setembro não levou a uma renda fixa, e a busca por uma melhoria de imagem nas viagens internacionais que ele fez fracassou, assim como o constrangimento gasto para ir ao funeral de Elizabeth II, por exemplo.

Do lado religioso, que na semana passada viu Lula se recuperar entre os evangélicos, apesar da grande vantagem de Bolsonaro, a situação é de estabilidade. No grupo politicamente articulado, que representa 25% do eleitorado entrevistado, o presidente tem 50% e o PT 32%.

Nos demais segmentos, a classificação do Datafolha traz até agora um filme bastante conhecido desta campanha. Lula teve seu maior crescimento do turno anterior para este entre os mais pobres, no Sul (14% do eleitorado) e entre os mais jovens (14% da amostra).

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Mais importante, flutuou um ponto a menos, mas continua a liderar na região mais populosa, o Sudeste (43% das orelhas), superando Bolsonaro por 41% a 36%. O presidente, por sua vez, viu uma melhora de dois pontos na região.

A sua entrada no eleitorado feminino continua a ser um obstáculo vital à sua ambição eleitoral, devido ao seu longo histórico de posições sexistas. Entre estes, 52% da amostra preferem Lula a 49%, enquanto 29% dizem votar no presidente.

Ciro e Tebet continuam amargando a terceira posição mais distante. O peão, em particular, se rebelou publicamente contra a ofensiva petista para tirar seu apoio. Ele não se desidratou de forma decisiva, mas perdeu um ponto. Votar na dupla por enquanto é um fator importante na eventual necessidade de um segundo turno.

Felipe D’Ávila (Novo), Vera (PSTU), Sofia Manzano (PCB), Leo Péricles (UP), Conituente Eymael (PDC) e Padre Kelmon (PTB) não chegaram a 1% na pesquisa.