Eleições 2022: 1 em cada 5 candidatos é empresário ou advogado; cresce o número de parlamentares e jornalistas, diminui o número de professores e alunos | Eleições em números

By | August 17, 2022

Um em cada cinco candidatos nesta eleição é empresário ou advogado. Uma pesquisa realizada pelo g1, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que esses dois grupos, que já representavam a maior participação no contencioso de 2018, aumentaram a participação neste ano. No geral, esta também será a eleição com menos professores e alunos e mais policiais militares e jornalistas.

No início da tarde desta quarta-feira, o TSE já havia registrado mais de 28 mil pedidos. Segundo dados do TSE, o total de candidatos que se declararam empreendedores este ano cresceu 20%, enquanto os advogados cresceram 12%. Juntas, essas duas ocupações respondem por 20% de todas as declaradas pelos candidatos.

Isoladamente, uma das categorias profissionais com maior variação percentual entre as duas eleições foi o policial militar (38%). As candidaturas jornalísticas também cresceram (30%), mas, em geral, a participação desse grupo, assim como dos PMs em todas as profissões candidatas como um todo, representa cerca de 3%.

Enquanto advogados, empresários, policiais e jornalistas aumentaram o número de candidatos nesta eleição, o emprego de donas de casa (-23%), professores de ensino fundamental (-24%) e ensino médio (-38%), além de empregados (-27%) apresentam redução. Estudantes e bolsistas também têm menos inscrições: – 38%.

Segundo dados do TSE, o total de candidatos a empreendedores em 2018 foi de 3.017. Este ano, 3.620 pedidos de registro de aplicativos. Havia 1.828 advogados há quatro anos e agora serão 2.049.

Para Victor Peixoto, professor e cientista político da Universidade Estadual do Norte Fluminense, no Rio de Janeiro, parte do crescimento do número de empreendedores pode ser resultado de uma mudança de nomenclatura. Peixoto analisou os dados históricos e verificou que a categoria “empreendedor” entre os candidatos mostra um crescimento constante desde 2006, e agora com um novo recorde de participação.

– Evidentemente, o aumento da participação dos empresários decorre de uma mudança na nomenclatura. Houve um substituto. No passado, o que costumávamos chamar de comerciantes agora são chamados de empreendedores. Esse crescimento deveu-se provavelmente à criação dos MEI (microempreendedores individuais). Com o MEI, pequenos comerciantes se transformaram em pequenos empreendedores. A Polícia Militar, com esse novo aumento, volta ao patamar de 2006. Muito provavelmente para uma nova onda, não só na segurança pública, mas também na comunicação. Muitos têm usado as redes sociais para se comunicar diretamente com a empresa.

Esquema entre as partes

Entre as partes, o Novo tem a maior participação de empresários e advogados. Quase um terço de todos os candidatos do partido são empresários ou advogados. Em seguida vem o PSDB, com 25% dos candidatos nessas duas categorias. O partido do presidente Jair Bolsonaro (PL) aparece vinculado ao PP em sexto lugar com maior participação de empresários e advogados (23%). A PT ocupa a 26ª posição, com 12% de advogados e empresários.

Adriano Codato, professor e cientista político da Universidade Federal do Paraná (UFPR), chama a atenção para o grande número de empresários interessados ​​em participar da política institucional, modelo que difere de outros países europeus. Segundo ele, apesar do grande número de legendas no Brasil e da dificuldade do eleitor em distinguir as bandeiras, os dados mostram que parece haver um padrão na distribuição dos empresários por legendas. Sobre o crescimento das indicações jornalísticas, Codato diz que são necessários mais estudos para identificar quem exatamente se identifica como jornalista.

– Embora tenhamos muitos partidos e a fragmentação seja muito alta e o comportamento dos partidos seja um pouco imprevisível, os dados indicam alguma lógica social e no recrutamento de candidatos. Quanto mais o partido está à direita, mais empreendedor ele tem como candidato; mais à esquerda há menos empresários. Quanto ao aumento de jornalistas, são necessários mais estudos e dados mais detalhados para explicar esse aumento. Além disso, hoje não é possível hipotetizar o motivo do declínio no número total de inscrições de estudantes e donas de casa. Pode ser o resultado da estratégia das partes.

Codato explica que o perfil social dos candidatos está atrelado a três fatores: regras eleitorais, estratégias partidárias e tipo de financiamento de campanha. Enquanto as regras podem limitar ou ampliar a participação de diferentes grupos, as estratégias dos partidos podem ser direcionadas, por exemplo, para apostar em celebridades, políticos profissionais e experientes. O professor da UFPR chama a atenção para o fato de que cerca de 70% dos eleitos quase sempre ocupam cargo eletivo ou de confiança no mundo político.

– É necessário considerar o tamanho dos partidos, ou seja, grandes, médios, pequenos e franco-atiradores. Grandes partidos lançam políticos, pequenos partidos de fora, pequenos partidos sem possibilidades e dinheiro lançam mais mulheres, negras, com profissões de baixo prestígio social, como foi o caso do PSTU, PCB, PCO em 2014.

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