Eleições 2022: menos abstenções no exterior – 10/03/2022 – Copa do Mundo

By | October 4, 2022

As filas de até três horas para votação, registradas neste domingo (2) em grandes círculos eleitorais no exterior, como Lisboa, Londres, Paris e Milão, ajudam a ilustrar tanto o aumento do número de títulos registrados fora do Brasil quanto a maior afluência nas pesquisas dessa parte do eleitorado.

Desde 2018, o número de eleitores no exterior aumentou 39%, para 697.084. Destes, 43,8% votaram no domingo, quase três pontos percentuais a mais do que no primeiro turno há quatro anos – no total, a taxa tem mostrado estabilidade. Em Lisboa, o maior círculo eleitoral no estrangeiro, a falta de presenças aumentou de mais de 65% para cerca de 56%.

No total, os dados representaram 98,7 mil votos válidos a mais do que no primeiro turno anterior. Apesar disso, num universo de 156,4 milhões aptos a votar, os estrangeiros continuam a ter uma representação ínfima, inferior a 0,5% do total.

Quanto aos resultados, porém, o fora também apresentou mudanças nesta primeira rodada.

Em 2018, quando assumiu a presidência, Jair Bolsonaro (PL) recebeu 113,7 mil votos no exterior e ficou em primeiro lugar, com 58,8% dos válidos. Em segundo lugar Ciro Gomes (PDT), com 14,5%, seguido de Fernando Haddad (PT), com 10,1%.

Agora, com o total de pesquisas apuradas, o ex-presidente Lula (PT) conquistou o primeiro lugar no exterior, com 138.933 votos, 47,2% dos válidos. Bolsonaro viu o número de eleitores subir para 122.548, mas terminou em segundo lugar, com 41,6%. Segundo o Itamaraty, as eleições foram realizadas em 159 cidades de 98 países.

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Nos dez principais distritos eleitorais, os ex-presidentes e os atuais presidentes compartilharam a liderança, cada um vencendo em cinco cidades, com diferenças regionais. Lula se saiu melhor na Europa, tendo se destacado em Lisboa, com 61,5%, além de Londres, Porto, Paris (77,3%) e Milão.

Bolsonaro teve melhor desempenho nos Estados Unidos, onde venceu em Miami (74,3%), Boston e Nova York. No Japão conquistou Nagoya (75,5%) e Tóquio.

O resultado nas três assembleias de voto em Portugal chama a atenção sobretudo porque representou um ponto de viragem, já que o presidente triunfou no país há quatro anos. Em Lisboa, onde teve 30,7% este ano, Bolsonaro recebeu 56,1% dos votos no primeiro turno de 2018, à frente de Ciro e Haddad. O PT também havia perdido as eleições de 2014 na cidade: no primeiro turno o tucano Aécio Neves venceu com 38,43%; Dilma Rousseff ficou em segundo lugar, com 28,2%, apenas 7 votos a mais que Marina Silva.

A viragem ocorreu também no Porto, que com 30.098 eleitores é a sexta cidade com mais eleitores fora do país. Os brasileiros na cidade deram 60,3% para Lula e 30,2% para Bolsonaro; em 2018 o presidente tinha 57,6%, Ciro 16,3% e Haddad 12,8%. Quatro anos antes, Aécio também havia vencido Dilma.

Alguns fatores influenciaram o novo cenário de votação no exterior. Em primeiro lugar, o aumento do número de eleitores reflete o aumento de 22,6%, entre 2018 e 2021, no número de brasileiros que vivem fora do país: segundo dados do Itamaraty, a contagem passou de 3,6 milhões para 4,4 milhões.

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Dentro do perfil geral dos migrantes, a percentagem dos eleitores mais escolarizados aumentou – este ano 42% concluíram o ensino superior, face a 34,3% em 2018 – e a maioria encontra-se agora no grupo entre os 40 e os 44 anos, com mais de a maior parte de 2018, entre 35 e 39 anos.

No caso português, o número de residentes legais mais que dobrou em relação a 2016, atingindo 252 mil pessoas de acordo com as estatísticas oficiais, que não contabilizam brasileiros com dupla cidadania portuguesa ou de outro país da UE ou em situação migratória.

O fluxo dos últimos anos para Portugal tem uma forte presença de estudantes, empresários e profissionais. Residente em Leiria, a empresária Débora Lemos faz parte deste contingente. Em Portugal desde 2017, a empresária diz que demorou a mudar o seu domicílio eleitoral para o estrangeiro devido à burocracia. “Era necessário marcar uma consulta no consulado para apresentar os documentos pessoalmente. Morando longe, sempre acabava deixando ele para depois. [o título de eleitor]”, relata.

A deterioração da imagem do Brasil na comunidade internacional também pode ter influenciado os resultados das urnas, especialmente devido à gestão da pandemia e da emergência climática, em questões relacionadas à Amazônia.

“O momento exige esse esforço. Mesmo morando fora do Brasil, o que acontece lá tem um impacto na minha vida aqui, e não quero mais ter a imagem de um brasileiro borrado”, disse a estudante Maisa Nascimento. Residente em Veneza, onde faz mestrado e trabalha para uma operadora de turismo, no domingo viajou de trem para Milão para votar – ao custo de 35 euros.

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Histórias semelhantes foram vistas em outros lugares. Na capital portuguesa, a primeira da fila foi Cristiane Santos. Residente em Alcobaça, a cerca de 120 km de Lisboa, chegou à assembleia de voto às 3 da manhã, para não correr o risco de perder o dia de trabalho num restaurante. A capital teve que estender a votação porque menos de 30 minutos antes do encerramento das urnas, 3.000 pessoas ainda estavam esperando do lado de fora.


Vencedor dos dez maiores círculos eleitorais no exterior

  • Lisboa Lula (61,5%)
  • Você me ama Bolsonaro (74,3%)
  • Boston Bolsonaro (69,9%)
  • nagoya Bolsonaro (75,5%)
  • Londres Lula (55,2%)
  • Porta Lula (60,6%)
  • Tóquio Bolsonaro (66,9%)
  • Novo Iorque Bolsonaro (46,3%)
  • Paris Lula (77,3%)
  • Milão Lula (50,2%)