Mercado vê superávit fiscal de R$ 30,5 bilhões em 2022, mas contas prejudicadas em 2023, mostra Prisma da Reuters

By | September 13, 2022


© Reuters. Moedas Reais 15/10/2010 REUTERS / Bruno Domingos

BRASIL (Reuters) – O mercado financeiro melhorou sua previsão para o resultado primário do governo neste ano, mas piorou sua estimativa para o buraco fiscal em 2023 em meio a incertezas sobre a continuidade dos programas temporários, divulgou relatório do Prisma Fiscal divulgado nesta terça-feira pelo Ministério da Economia. Economia.

De acordo com o documento, que reúne as projeções dos agentes de mercado para as contas públicas, a mediana das expectativas para o resultado primário do governo central em 2022 foi de superávit de 30,5 bilhões de reais, ante saldo positivo de 4,6 bilhões de reais esperado em agosto. Se confirmado, será o primeiro resultado italiano em nove anos.

A última projeção do Ministério da Economia sobre o resultado primário do governo central – que inclui as contas do Tesouro Nacional, da Previdência Social e do Banco Central – prevê um déficit de R$ 59,4 bilhões neste ano, ante meta de déficit de 170,5 bilhões de reais. Os técnicos do ministério, porém, já esperam revisões dos números, que chegariam em superávit no final do ano.

As estimativas de mercado para o resultado primário refletem um aumento na projeção de receita líquida do governo, de 1,818 trilhão de reais para 1,851 trilhão de reais. Houve um aumento menos intenso nas expectativas para o gasto total, de R$ 1,804 trilhão no relatório anterior para R$ 1,810 trilhão na pesquisa deste mês.

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Com a melhora dos dados do ano, analistas consultados pelo ministério reduziram a projeção para a dívida bruta do governo em 2022 para 78,19% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 79,0% na pesquisa.

O governo registrou arrecadação recorde, impulsionado pela recuperação da atividade econômica, alta inflação e aumento dos preços das matérias-primas no mercado internacional.

A revisão positiva das projeções ocorre apesar da estratégia do governo de converter esses ganhos de arrecadação em redução de impostos e ampliação de benefícios sociais neste ano eleitoral.

Nos últimos meses, foram liberados os cortes de combustível PIS/Cofins, IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e cortes de tarifas de importação, além de repasses para caminhoneiros, taxistas e beneficiários do Auxílio Brasil e Auxílio Gás.

2023 EM VERMELHO

Para 2023, as projeções do mercado apontam para a volta do déficit primário, com gap ainda maior do que o esperado. A nova projeção aponta para um déficit de R$ 43,2 bilhões, ante os R$ 30 bilhões do levantamento anterior.

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A estimativa é que a dívida bruta suba para 81,70% do PIB no próximo ano, abaixo dos 82,30% previstos no mês passado.

Ainda não há clareza sobre o quadro fiscal para 2023. O orçamento do próximo ano foi enviado ao Congresso pelo governo com previsão de déficit de 63,7 bilhões de reais, número que ainda não inclui promessas de manter o Auxílio Brasil em patamar elevado, validade original até dezembro e correção da tabela do imposto de renda.

Tanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto o presidente Jair Bolsonaro, que lideram as pesquisas para as eleições de outubro, já prometeram manter o Auxílio Brasil vivo no próximo ano, mas não definiram soluções para financiar a medida. A despesa adicional de aproximadamente 50 bilhões de reais não está incluída no teto de despesas, que deve ser modificado.

Outro programa provisório que terminaria este ano, a isenção de impostos federais sobre combustíveis deve ser mantida pelo governo e foi incluída nas previsões do Orçamento de 2023, uma derrogação que ultrapassa os 50 bilhões de reais.

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(Por Bernardo Caram)