Seis perspectivas sobre os resultados da pesquisa – 10/03/2022

By | October 4, 2022

Seis perspectivas sobre os resultados das urnas – Bolsonaro ganhou capilaridade, mas perdeu força nos grandes centros, taxa de mortalidade por covid-19 não afetou seu voto e eleitores fizeram mais escolhas ideológicas este ano, avalia domingo o Cebrap investigador. (02/10) foi recebido com surpresa pelos eleitores e pela imprensa. Bolsonaro teve um percentual de votos maior do que o previsto pelas pesquisas, e a extrema-direita também teve um desempenho notável para o Legislativo.

Resultados positivos também no lado esquerdo. O PT ampliou sua vaga na Câmara e no Senado, elegeu três governadores no primeiro turno e ainda está concorrendo em outros quatro estados.

A DW entrevistou o cientista político Fernando Meireles, pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), em busca de mais perspectivas sobre o resultado da votação. Estes são seis deles.

Bolsonaro ganhou capilaridade, mas perdeu força nos grandes centros

Comparado às eleições de 2018, Bolsonaro perdeu votos nas capitais e cidades maiores, mas melhorou seu desempenho em municípios menores, principalmente onde recebeu menos votos na última eleição, segundo análise de Meireles.

Esse fenômeno, diz ele, está ligado ao domínio do presidente sobre a máquina pública e seu poder de repassar recursos voluntários e benefícios sociais, como o Auxílio Brasil, cujo valor foi elevado para R$ 600 poucos meses após as eleições.

Meireles encontrou uma correlação entre o melhor desempenho eleitoral de Bolsonaro neste ano e o valor per capita pago pelo Auxílio Brasil em cidades das regiões Norte e Nordeste, especialmente em municípios menores.

“O Auxílio Brasil atingiu muita gente, mas é mais palpável em municípios pequenos. O perfil de consumo muda, o impacto no comércio local é imediato”, diz.

Esse fenômeno tende a surtir efeito também no segundo turno, a menos que haja um esforço específico da campanha petista para essas cidades menores, principalmente no Nordeste, diz.

O governo federal fez mais um gesto nesta segunda-feira para explorar o efeito político dos benefícios sociais: adiantou o calendário de pagamentos do mês de outubro para o Auxílio Brasil, para que todos os beneficiários o recebam até cinco dias antes das eleições.

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Por outro lado, Meireles identificou que Bolsonaro perdeu votos em quase todas as capitais e grandes cidades neste ano. E foi pior em praticamente todos os municípios de São Paulo e Rio de Janeiro.

Ele acredita que a base de comparação de Bolsonaro foi alta, já que o presidente teve um “desempenho extraordinário” em 2018 nos grandes centros urbanos.

Outra hipótese para esse fenômeno, diz ele, é que o impacto da recessão, da fome e da inflação atingiu com mais força as grandes cidades.

Taxa de mortalidade por Covid-19 não teve impacto no voto de Bolsonaro

Meireles também investigou se havia correlação entre o número de mortes por covid-19 por 100 mil habitantes, até março deste ano, e a diferença de votos para Bolsonaro em 2018 e no domingo.

Como resultado, a taxa de mortalidade da pandemia não afetou o desempenho eleitoral do presidente, exceto por uma leve correlação na região sul.

A votação tornou-se mais ideológica e a extrema direita se consolidou

O resultado de domingo também mostrou que a ascensão da extrema direita no Brasil não foi um fenômeno passageiro, fruto de uma eleição atípica em 2018, mas um processo profundamente arraigado e agora com maior representatividade no Congresso.

Os candidatos de Bolsonaro foram eleitos para o Senado, como a fundamentalista cristã Damares Alves, o vice-presidente Hamilton Mourão, o ex-secretário de Pesca Jorge Seif e o ex-ministro da Ciência e Tecnologia Marcos Pontes. Outro exemplo é o deputado federal eleito Nikolas Ferreira, um influenciador mineiro de 26 anos que conquistou a maior votação individual para a Câmara na história de seu estado.

Para Meireles, o sucesso de muitas dessas indicações vai além do simples vínculo com Bolsonaro e se baseia em plataformas estruturadas com conteúdos programáticos e formas de atuação no debate público, que mobilizam valores e propostas.

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“Há cada vez mais votações de apelo ideológico. O voto mais pragmático, baseado na política local, parece-me ter perdido terreno”, diz.

A bancada de esquerda também se tornou mais ideológica

O maior peso do voto pela ideologia também se fez sentir no voto das margens de esquerda, diz Meireles. “Aqueles que tinham um papel mais ideológico cresceram”.

A aliança formada por Psol e Rede elegeu 14 deputados, três a mais do que em 2018. Guilherme Boulos, do Psol, foi o deputado federal mais votado em São Paulo e o segundo mais votado no Brasil.

A nova legislatura marca também a chegada dos primeiros deputados trans da história da Câmara, Erika Hilton, do PSOL, e Duda Salabert, do PDT, o terceiro deputado mineiro mais votado. Duda foi o terceiro deputado mais votado em Minas Gerais. Erika foi a oitava mais votada em São Paulo.

E dois indígenas foram eleitos para a Câmara dos Deputados: Sônia Guajajara e Célia Xakriabá.

O número de partidos no Congresso está diminuindo

Outro aspecto importante dos resultados de domingo é a redução do número de partidos representados na Câmara: 23, sete a menos que em 2018.

Há uma boa chance de que esse número diminua ainda mais no ano que vem, com a migração de deputados federais eleitos por partidos que não cumpriram a cláusula de barreira e ficarão privados de acesso ao tempo de transmissão e à maioria dos recursos e verbas eleitorais. .

Segundo estudo da Fundação da Ordem Social, vinculada ao Pró, seis partidos que elegeram deputados federais não respeitaram a cláusula: além do Pró, Patriota, PSC, PTB, Solidariedade e Novo.

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“Pouco a pouco, estamos caminhando para um sistema partidário com cada vez mais partidos ideológicos. Mas isso não significa necessariamente que teremos uma governança mais fácil. Dependendo de algumas variáveis, pode ser ainda mais difícil”, diz.

O novo Congresso facilitaria o governo de Bolsonaro, mas complicaria o de Lula

A nova composição do Congresso deve facilitar a vida de Bolsonaro caso ele seja reeleito para um segundo mandato. O PL, seu partido, elegeu um colégio de 99 deputados, quase um quinto da Câmara.

O desempenho do partido do presidente só é igual ao que ocorreu em 1998, ano da reeleição de Fernando Henrique Cardoso, quando o PSDB também elegeu um colégio de 99 deputados.

O PL também terá 14 senadores, a maior bancada do Senado. Mas esse bom desempenho na Legislação não significa necessariamente que o presidente vai “passar por tudo” que quiser, segundo Meireles.

Ele observa que uma das características do primeiro mandato de Bolsonaro foi seu afastamento voluntário do comando da agenda legislativa e do anteprojeto de lei, cuja condução, em muitos casos, ficou a cargo do Congresso. “É uma questão de ele ter ou não o desejo de completar a agenda.”

Se Lula for eleito em 30 de outubro, a relação entre Congresso e Planalto será “mais difícil”, devido à maior distância ideológica entre os partidos representados, diz.

“O número de partidos diminuiu, mas a diferença [ideológica] aumentou. Se eleito, terá uma base programática muito mais de esquerda do que talvez tenha tido durante seu governo. [anterior], e do outro lado haverá uma bancada ainda mais numerosa de pessoas de direita e extrema-direita, que não querem negociar e não abrem mão de cargos. E quem provavelmente ocupará os cargos de liderança dentro da estrutura do Congresso”, diz.
Autor: Bruno Lupio